Radioamadorismo

O radioamadorismo é um hobby científico praticado em quase todos os países do mundo por pessoas habilitadas e licenciadas por autoridades, para a intercomunicação e estudos técnicos sem motivo de lucro. Ao contrário de outros hobbies, o radioamadorismo possui legislação nacional e internacional que regulamenta as condições de uso e as frequências de rádio destinadas à atividade, e que obrigatoriamente deve ser seguida pelos seus praticantes, chamados de radioamadores.

Quem são os Radioamadores?

Conforme ensina o Professor Julio Ross em sua obra “Como se tornar Radiomador”, in Livro do Técnico: “No início do século XX, os radioamadores foram os primeiros Nerds. Por mais de 100 anos, eles construíram máquinas, inventaram novos meios de usar as ondas de rádios e revolucionaram o modo de se comunicar.

Muito antes das redes sociais, os radioamadores já tinham milhares de amigos ao redor do mundo. Eles podiam conversar com várias pessoas gratuitamente e em tempo real. Não importava se elas estavam na mesma cidade ou a milhares de quilometros de distância, os radioamadores podiam conversar a vontade sem se preocuparem com a conta de telefone.

Durante muitas décadas, os radioamadores foram a única rede de comunicação rápida e confiável e com cobertura mundial. Por isso, além do prazer em se comunicar, os radioamadores assumiram um papel decisivo em momentos históricos. A ajuda dos radioamadores foi decisiva para os aliados vencerem a II Guerra Mundial. O apoio dos radioamadores em grandes calamidades públicas salvou milhares de vidas. Mesmo em pequenos eventos, como solicitar um remédio para alguém que estava entre a vida e morte, não seria possível sem a rede de comunicação formada por radioamadores. Com a modernização das comunicações e o surgimento do celular e da Internet, o papel dos radioamadores diminuiu. Porém, quando todos os outros meios de comunicações falham, são os radioamadores que aparecem com seus próprios recursos e equipamentos para manter o fluxo de informações.

Em 11 de setembro de 2001, a cidade de Nova York sofreu o maior ataque terrorista em solo norte-americano. Todos os sistemas de comunicação modernos falharam. A rede de telefonia fixa e celular entraram em colapso; a Internet ficou sobrecarregada; não havia como saber o que estava acontecendo. Em poucas horas, os radioamadores locais montaram uma rede de comunicação emergencial para dar apoio aos bombeiros, polícia e civis.

Na manhã seguinte ao Natal de 2004, um tsunami atingiu o sudeste asiático e matou 285 mil pessoas. Rapidamente, uma rede de comunicação de escala mundial se formou nas frequencias operadas por radioamadores para tráfego de informações sobre sobreviventes em locais isolados em vários países. Sem a ajuda dos radioamadores, o número de mortos poderia ter dobrado por falta de socorro aos feridos, água e alimentação.

Mais recentemente, os radioamadores brasileiros entraram em ação durante várias calamidades causadas por chuvas nos Estados de Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Em janeiro de 2011, várias cidades da região serrana do Rio de Janeiro foram palco da maior tragédia brasileira. Vários deslizamentos de terra provocados por um temporal arrasou ruas e casas, deixando cerca de 1.000 mortos e desaparecidos. Mais uma vez os radioamadores tiveram papel importante em estabelecer uma rede de comunicação de emergência em conjunto com Defesa Civil e Corpo de Bombeiros para ajudar na localização e resgate de pessoas feridas e isoladas.

Portanto, os radioamadores são seres humanos, cidadãos comuns que se divertem inventando coisas, experimentando novas formas de usar as ondas de rádio, fazendo amigos ao redor do mundo; mas quando necessário usam seus próprios recursos para ajudar quando tudo mais falhar”.

Uso de Radiofrequência:

Na mesma obra vimos que “em alguns casos é possível utilizar radiofrequencias ou faixas de radiofrequências sem autorização da ANATEL, desde que para uso próprio, ou seja, atividades que não envolvam prestação de serviços. Os equipamentos utilizados nessa situação são chamados de equipamentos de “radiação restrita”. Aprovado pela Resolução 506/2008, o Regulamento sobre Equipamentos de Radiocomunicação de Radiação Restrita define os casos em que a autorização de uso de radiofrequencia não é exigida. Alguns exemplos de equipamentos que podem ser considerados como de radiação restrita, desde que atendam os parâmetros estabelecidos no Regulamento são: microfone sem fio; controle remoto; telefone sem fio; rede de computadores sem fio.

Julio Ross – julioross@msm.com

Para saber mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Radioamadorismo

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